Uma das coisas mais comuns de se ver na política são

burocratas e mandatários propondo soluções fáceis para

problemas complexos. Um dos mais comuns, em tempo de

crise, é controlar os preços a partir do aumento destes.

Tal medida traz consequências negativas conhecidas há milênios. No ano de 301, o imperador romano Diocleciano determinou que os preços de vários alimentos fossem congelados, e quem descumprisse o determinado seria condenado à morte. 

Assim, comerciantes passaram a estocar alimentos tanto porque não era viável vender pelos preços exigidos pelo governo, quanto por medo de serem acusados de maneira errônea de descumprimento da lei. O resultado inicial disso foi a escassez de produtos básicos e, por fim, a desobediência e o desprezo pela autoridade do governo.
 

A arma dos demagogos

Por: Bartô 
 

Controle

de preços

 

Agora vamos para um passado não tão distante. Alguns de vocês devem se lembrar ou já ouviram falar do congelamento proposto por Sarney e a mobilização dos seus “fiscais”. Dessa vez não havia pena de morte, mas os empresários também poderiam ser punidos se aumentassem os preços. O resultado da medida vocês também devem se lembrar: escassez, existência de mercado paralelo para produtos básicos e aumento de preços ainda mais brutal depois do fim da medida.

Isso tudo acontece porque a lei da oferta e demanda é implacável. Quando a produção não acompanha o ritmo da quantidade de dinheiro existente na mão das pessoas, os preços fatalmente vão aumentar. E se o governo controla preços, não há incentivos para produzir e comercializar. São fundamentos básicos da economia, mas muitos políticos oportunistas se valem do desespero da população afetada por este aumento para culpar a “ganância” dos empresários e produtores rurais como responsável pelo aumento dos preços. O que eles não dizem é que há questões muito mais complexas como preço do dólar e alta dos preços no mercado internacional que estimulam as exportações, quantidade produzida abaixo do esperado, demanda das famílias que estão se alimentando mais em casa, entre outras. Mas para um demagogo, há sempre um vilão que deve ser atacado pelo governo.

Mesmo com inúmeras evidências históricas de que congelar preços é um grave erro, vários projetos de lei tramitam nas casas legislativas de vários Estados do Brasil com o objetivo de congelar preços de produtos em razão da alta de preços durante a pandemia, entre elas, a do deputado federal mineiro André Janones, que defende que produtos da cesta básica devem ser congelados. Não tem como dar certo. A não ser que sua intenção seja, em vez de resolver o problema, buscar votos de quem não possui esse tipo de informação.

Não precisaríamos olhar apenas para o passado para saber que controlar preços é um erro. Esta medida está sendo feita em países aqui na América do Sul nos dias de hoje. Venezuela e Argentina são governados por populistas com forte inclinação ao socialismo, e vivenciam medidas que são claro exemplo do que não devemos seguir. O número de pessoas na extrema pobreza na Venezuela, vítima dessa política já há alguns anos, disparou. Na Argentina, onde há fortes interferências do governo dos preços desde o início da pandemia, começa a sofrer com a falta de produtos básicos nos supermercados.

O saudoso jornalista Ivan Lessa disse certa vez: “de 15 em 15 anos, o Brasil esquece do que aconteceu nos últimos 15 anos”. Agora parece que está pior. Há quem esteja presenciando o caos na vizinhança e quer trazer para a casa. Não podemos permitir.
 

© 2020  Deputado Bartolomeo Moreira. Todos os direitos reservados

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