O principal assunto da semana passada foi um crime ocorrido dentro de um Carrefour, em Porto Alegre (RS), onde seguranças espancaram até a morte um homem chamado João Alberto Freitas. O fato ganhou conotação simbólica por João Alberto ser negro e ter sido morto na véspera do Dia da Consciência Negra. Grande parte da mídia e de influenciadores já fizeram questão de afirmar do que se tratava o crime: racismo.

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Por: Bartô 
 

A falsa moral dos

justiceiros da internet

É um fato impossível de negar que no mundo inteiro pessoas morreram e ainda morrem por serem de uma raça diferente de seus agressores. Existem inclusive grupos organizados com o intuito de cometer crimes contra aqueles que julgam ser diferentes. Mas não podemos cair na armadilha de dizer que todos os negros que são mortos morrem por serem negros. Milhares de negros são mortos todos os anos em nosso país por diversas motivações que nada tem a ver com discriminação racial. Latrocínio não é racismo. Homicídio doloso nem sempre é racismo.

 

Existe a possibilidade de ele ter sido espancado e morto por ser negro? Parece muito improvável, especialmente por tudo o que já foi dito e mostrado pelas câmeras. O racismo por si só não parece, portanto, uma forma honesta de explicar as motivações do crime. Mas, o que vimos neste fim de semana foi a propagação rápida de uma histeria coletiva que julgou o crime, ignorando inclusive a responsabilidade dos seguranças e culpando o supermercado que teve lojas de sua rede vandalizadas.

 

O crime está sendo investigado e ainda será julgado pelo Poder Judiciário, porém, fica claro que a narrativa, criada por setores da mídia claramente engajados politicamente, fizeram questão de dar sua sentença e criaram um ambiente onde qualquer pessoa que questionasse se houve crime de racismo, seria também automaticamente acusada de racista. Pessoas intimidadas com esse ambiente, onde, só quem compra o discurso dominante é moralmente virtuoso e, dessa forma, acabam se omitindo no questionamento.

 

E o questionamento que deve ser feito é: quem ganha com a propagação deste tipo de narrativa? Não precisamos ir muito longe para levantarmos ao menos uma suspeita. Neste ano, nos Estados Unidos (EUA), a morte de um negro pela polícia desencadeou uma série de protestos, onde manifestantes intimidavam aqueles que não demonstravam apoio aos movimentos, que foram marcados por violência, depredação e mortes, inclusive de negros. Enquanto isso, estava acontecendo uma eleição presidencial, onde Donal Trump, atual presidente dos EUA, era apontado culpado pelo clima de tensão, enquanto seu opositor, Joe Biden, se dizia o único capaz de pacificar o país.

 

Por isso, é bom ter muito cuidado com discursos fabricados por grupos que dizem sinalizar algum tipo de virtude, quando na verdade o que querem é poder. Sim, racismo é algo execrável e deve ser combatido. Mas ser antirracista não significa que não devemos ser críticos com aqueles que apontam para tudo e enxergam racismo, e aproveitam a comoção das pessoas para fazer discursos que estimulam ainda mais divisão e o ódio entre as pessoas. Se houve um crime, que seja julgado pela justiça, e não por justiceiros sociais da internet.